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sábado, 15 de junho de 2013

Você que uma Revolução?

"Dissemos que os santos são os verdadeiros reformadores. Agora gostaria de o expressar de modo mais radical: só dos Santos, só de Deus provém a verdadeira revolução, a mudança decisiva do mundo. No século que há pouco terminou vivemos as revoluções, cujo programa comum era não aguardar mais a intervenção de Deus, mas assumir totalmente nas próprias mãos o destino do mundo. Com isto, vimos que era sempre um ponto de vista humano e parcial a ser tomado como medida absoluta da orientação. A absolutização do que não é absoluto mas relativo chama-se totalitarismo. Não liberta o homem, mas priva-o da sua dignidade e escraviza-o. Não são as ideologias que salvam o mundo, mas unicamente dirigir-se ao Deus vivo, que é o nosso criador, a garantia da nossa liberdade, a garantia do que é deveras bom e verdadeiro. A verdadeira revolução consiste unicamente em dirigir-se sem reservas a Deus, que é a medida do que é justo e ao mesmo tempo é o amor eterno. E o que nos pode salvar a não ser o amor?" (Papa Bento XVI)
Este é um trecho do pronunciamento do Papa Bento XVI na vígilia que encerrou a JMJ de Colônia na Alemanha em 2005. Nele o Papa leva a juventude católica a refletir um pouco melhor a respeito da grande reforma que o nosso mundo tem clamado.
A insatisfação é geral e toma conta do coração de muitos de nós jovens, o nosso desejo é de ir as ruas, expressar nossos pensamentos, revolucionar mudar o que está aí. Mas há um problema, passamos mais de duas décadas INTEIRAS no Brasil sem nenhuma grande intervenção popular, em especial vinda da Juventude, o movimento Passe Livre está dividindo opiniões e tomando o país sobre as mais diversas bandeiras e caras.
Mas aí vem a pergunta que não quer calar: como unificar as vozes de  milhares de jovens pelo Brasil afora que resolveram ir as ruas após duas décadas de relativismo? Afinal tudo é relativo, eu posso levantar uma bandeira, mas discordar completamente até de maneira violenta de outra, que é levantada por outro. Hpa quem defenda o vandalismo, a quem se posicione contrário, a quem esteja indiferente.(Eu me posiciono contra pois acredito que protesto é feito para se debater idéias).Talvez o aumento abusivo das passagens de ônibus seja a única pauta unânime dessa geração de jovens que hoje toma as ruas.
Por isso hoje eu consegui entender melhor o que o Papa quis dizer a respeito da verdadeira revolução ser a Santidade. Os que buscam ser santos se fazem um, unidos por uma mesma fé, pelos mesmos ideais do que será a Civilização do Amor! As metas altíssimas de perdão e de convivência amorosa que buscamos a duras penas, vencendo diariamente o pecado que nos divide, faz se derramar sobre nós o mistério da unidade.
Mistério porque ainda que seja um ideal humano, apenas em Deus pode haver verdadeira unidade, interior e com os irmãos. Pois unidade NÃO  é pensar igual, NÃO é rezar igual, NÃO é se vestir igual. UNIDADE é de fato um  mistério, pois consiste em abraçar e acolher o diferente, até mesmo o de fé diferente, com amor.
Em busca dos ideais de um país melhor, é necessário que as Sentinelas da Manhã se levantem. É importante que no coração da noite escura profunda em que estamos, onde a falta de sentido mostra a sua cara jovens com o coração ancorado em Deus tomem as ruas e mostrem a cara dos Santos do Século XXI! Convictos de levantar as bandeiras que são em defesa da vida em todas as suas formas, desde a concepção até a sua morte natural. E vida em abundância: educação de qualidade, distribuição equalitária de renda, acesso a direitos, menos violência, menos extermínio de jovens, idosos e nascituros.
Uma voz precisa se levantar, as Sentinelas da Manhã precisam ser luz em meio a tanta escuridão.
Você que uma revolução? Comece por você: seja Santo!

PS.: Exponha sua opinião nos comentários.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Renúncia do Papa e as nossa renúncias!

"Se a sua mão ou o seu pé é ocasião de escândalo para você, corte-o e jogue-o para longe de você. É melhor para você entrar para a vida sem uma das mãos, ou sem um dos pés, do que ter as duas mãos ou os dois pés, e ser lançado no fogo eterno.
E se o seu olho é ocasião de escândalo para você, arranque-o e jogue-o para longe de você. É melhor para você entrar para a vida com um olho só, do que ter os dois olhos, e ser jogado no inferno de fogo" (Mt 18, 8-9)

Já não é mais novidade para o mundo que no dia 28/02 às 20 horas, horário de Roma, o então Papa Bento XVI deixará de ocupar seu lugar como chefe da Igreja e do Vaticano, para que outro mais jovem assuma o seu posto. Vejo na atitude do Papa um exemplo maravilhoso para todos os cristãos, de um verdadeiro e autêntico cristianismo, no lugar de gerar uma crise, este ato deve reforçar em nós a fé, e nos fazer perceber que temos diante de nós um homem que inspirado pelo Espírito, sabe ler os sinais dos tempos.
Vivemos cercados de um cultura profundamente individualista e hedonista, a mentalidade predominante nos diz que devemos sempre buscar aquilo que satisfaça o MEU prazer(!), sendo assim é impossível optar ou renunciar a qualquer coisa, somos ensinados a reter tudo para nós sem o menor discernimento. E desta cultura sobre a desculpa de nos fazer livres, nasce uma geração que tem uma dificuldade muito grande em renunciar, em dizer não àquilo que começa a atrapalhar o nosso desejo de fazer a vontade de Deus. E a verdade é que somos cativos desta visão deturpada de liberdade, por mais paradoxal que isto possa parecer, pois a liberdade significa poder de decisão e a decisão implica em uma cisão com tudo aquilo que não é bom para mim.
Santo Inácio nos Exercícios Espirituais vai dizer sobre o nosso Princípio de Fundamento:
[...]é necessário tornar-nos indiferentes a respeito de todas as coisas criadas em tudo aquilo que depende da escolha do nosso livre-arbítrio, e não lhe é proibido. De tal maneira que, de nossa parte, não queiramos mais saúde que doença, riqueza que pobreza, honra que desonra, vida longa que breve, e assim por diante em tudo o mais, desejando e escolhendo apenas o que mais nos conduz ao fim para que somos criados. (EE 23)
Sendo assim o homem verdadeiramente livre, é aquele que consegue optar por aquilo que mais o beneficia, descobrindo em Deus o absoluto e relativizando todo o resto, pois é apenas meio para alcançarmos o nosso fim, que é louvar, reverenciar e servir a Deus. O apego vem nos atrapalhar a de fato fazer essa vontade de Deus e alcançar o seu projeto. Sendo assim, podemos entender que o Papa percebeu que para o futuro da Igreja, hoje é necessário alguém mais apto a enfrentar os desafios que surgem a cada ano, e entende que a sua saída seja necessária. O que ele talvez não perceba que faz também, é nos levar a refletir, afinal não é todo dia que vemos um chefe de estado renunciar ao seu poder, e isto assusta, a mídia e algumas pessoas querem especulam motivos, pressões, crises, escândalos. E a cada busca desenfreada fica mais visível o motivo real: a própria consciência do Papa.
Devemos também nós fazer como ele e examinar a nossa consciência: quais tem sido as minhas renúncias? Eu tenho renunciado a mim mesmo? Será que sou capaz de abrir mão de momentos de lazer, ou de descanso para ir ao encontro do outro, mesmo que isso não seja prazeroso? Tenho cumprido com os compromissos que assumo com os irmãos, ou eu vou a Igreja simplesmente quando eu sinto um "arrepio" ou eu choro?
Me choca hoje, ver jovens que assumem seus compromissos e não são capazes de cumprir. Perdem a sua juventude, pois nos lugar de fazer algo que dê sentido, acabam ficando com medo de optar por Cristo, e ficam a deriva entre a Igreja e o Mundo. Renunciemos, façamos como o Papa, ouçamos as duras palavras do Evangelho: "Se é ocasião de escândalo ARRANCA!".

domingo, 25 de novembro de 2012

Não precisa morrer pra ver Deus!

Na terra do politicamente correto, quem tem opinião é fanático!
Desde sábado uma discussão acalourada no facebook, me levou a refletir sobre o esvaziamento da fé em nossas paróquias e comunidades, a fé cristã e a tradição da Igreja tem dado lugar a um sincretismo religioso perigoso para a fé. Principalmente por estar disfarçado de diálogo interreligioso.
Primeiramente gostaria de esclarecer sobre o diálogo. Pela origem da palavra, dialógo significam dois conhecimentos distintos, ou seja, o diálogo verdadeiro só ocorre quando as diferenças são exaltadas. Só posso dialogar a partir de um ponto de vista prévio, logo, concordar é uma coisa, dialogar é outra, absurdamente distinta. Eu não dialogo com quem comunga dos mesmo principios que eu, eu comungo, eu partilho, diálogo ocorre quando estou diante do diferente.
Em segundo lugar queria esclarecer o que vem a ser sincretismo religioso. Sincretismo é misturar as diversas tradições religiosas, sobre a idéia de estar respeitando a todas, eu crio para mim um Deus a moda do freguês, pego um pouco de budismo, um pouco de induismo, um pouco de umbanda, um pouco de catolicismo, e voilá! Tenho um Deus a minha imagem e semelhança.
O que as pessoas que comungam dessa idéia não veêm é que isso é um deserviço para cada uma dessas tradições religiosas, pois acabo por desrespeitar a diversidade e a beleza de cada uma. Todas as religiões tem a suas exigências, de desapego e de busca de algo maior, e quando eu pego só o que me interessa eu abandono o pacote completo, e fico numa fé água com açucar que não me leva a ser melhor, mas sim e me leva numa onda de "deixa a vida me levar" eterna. Vou onde me dá prazer.
Explicado isso, venho expressar a minha opinião, dizendo que é IMPORTANTE no mundo de hoje que as religiões sejam sinal de união. Temos que parar de demonizar a religião do outro, e devemos respeitar a pessoa, pois corremos o risco de lançar a pessoa toda fora, simplesmente por ela crer e rezar diferente de mim! MAS por outro lado eu só posso fazer bem ao outro, quando estou ENRAIZADO na minha fé, eu só posso ser católico de dialogar com um espírita, se eu eu for profundamente consciente da minha fé, sendo assim poderei ouvir, entender e discordar, mas respeitar.
Portanto acho uma tristeza ver líderes da Igreja católica e jovens, que já se venderam por esse modelo água com açucar de fé, comprando tudo quanto é ideologia e enfraquecendo a verdadeira fé no Cristo Salvador da humanidade. Pensam assim: "todos tem razão ao falar de Cristo: Kardec tem razão, Marx tem razão, a minha avó tem razão. Mas o papa? não aquele lá está errado tadinho, é gagá!"
Precisamos ter coerência com a nossa fé, buscar alimento sólido, ser firme na busca pela santidade. e fugir, fugira rápido, fugir pra longe do sincretismo.
Por fim dou a palavra a Congregação para a Doutrina da fé, com seu presidente, o então Cardeal Joseph Ratzinger, atual Papa Bento XVI:

4.  O perene anúncio missionário da Igreja é hoje posto em causa por teorias de índole relativista, que pretendem justificar o pluralismo religioso, não apenas de facto, mas também de iure (ou de principio). Daí que se considerem superadas, por exemplo, verdades como o carácter definitivo e completo da revelação de Jesus Cristo, a natureza da fé cristã em relação com a crença nas outras religiões, o carácter inspirado dos livros da Sagrada Escritura, a unidade pessoal entre o Verbo eterno e Jesus de Nazaré, a unidade da economia do Verbo Encarnado e do Espírito Santo, a unicidade e universalidade salvífica do mistério de Jesus Cristo, a mediação salvífica universal da Igreja, a não separação, embora com distinção, do Reino de Deus, Reino de Cristo e Igreja, a subsistência na Igreja Católica da única Igreja de Cristo.
Na raiz destas afirmações encontram-se certos pressupostos, de natureza tanto filosófica como teológica, que dificultam a compreensão e a aceitação da verdade revelada. Podem indicar-se alguns: a convicção de não se poder alcançar nem exprimir a verdade divina, nem mesmo através da revelação cristã; uma atitude relativista perante a verdade, segundo a qual, o que é verdadeiro para alguns não o é para outros; a contraposição radical que se põe entre a mentalidade lógica ocidental e a mentalidade simbólica oriental; o subjectivismo de quem, considerando a razão como única fonte de conhecimento, se sente « incapaz de levantar o olhar para o alto e de ousar atingir a verdade do ser »;8 a dificuldade de ver e aceitar na história a presença de acontecimentos definitivos e escatológicos; o vazio metafísico do evento da encarnação histórica do Logos eterno, reduzido a um simples aparecer de Deus na história; o eclectismo de quem, na investigação teológica, toma ideias provenientes de diferentes contextos filosóficos e religiosos, sem se importar da sua coerência e conexão sistemática, nem da sua compatibilidade com a verdade cristã; a tendência, enfim, a ler e interpretar a Sagrada Escritura à margem da Tradição e do Magistério da Igreja.
Na base destes pressupostos, que se apresentam com matizes diferentes, por vezes como afirmações e outras vezes como hipóteses, elaboram-se propostas teológicas, em que a revelação cristã e o mistério de Jesus Cristo e da Igreja perdem o seu carácter de verdade absoluta e de universalidade salvífica, ou ao menos se projecta sobre elas uma sombra de dúvida e de insegurança.

Fonte: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20000806_dominus-iesus_po.html

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O Deus em garrafas!

"O que ouviste de mim na presença de numerosas testemunhas, transmite-o a pessoas de confiança, que sejam capazes de ensinar a outros." (2 Timóteo 2,2)

- Repita comigo, Senhor!
- Senhor!
- Hoje eu te peço...
- Hoje eu te peço...
- ... pela minha familia...
- ... pela minha familia...
- ... pelos meus filhos
- ... pelos meus filhos... peraí, eu não tenho filhos, seria uma profecia?

Esta é uma situação que já aconteceu comigo várias vezes e é muito comum hoje em dia em grupos de oração, acampamentos, pregações, missas com oração para cura e libertação e tudo mais que envolva um momento de multidão.
O objetivo de quem o faz é dos melhores possível, ajudar as pessoas que muitas vezes não tem uma clara noção do ser cristão, (e portanto não se sentiriam aptas a orar) para que rezem. Esta prática do "repita comigo", é muito comum quando os pais e catequistas ensinam a criança a rezar orações vocais da tradição da Igreja, como o Pai Nossa e a Ave-Maria, e é válida também quando o pregador quer fazer uma oração que ele conhece mas não é tão famosa, como a Couraça de São Patrício por exemplo. Nestes casos, como se trata de orar junto uma oração de valor universal, e ensiná-la a outros, é mais do que válido.
Porém devemos saber que a oração nada mais é do que um diálogo da alma fiel com Jesus, e ela precisa acontecer com a maior sinceridade possível, mesmo quando é uma oração vocal previamente escrita por alguém ou da tradição da Igreja, a pessoa que reza precisa atualizar a reza, passando da simples repetição, atualizando as palavras ali colocadas, estabelecendo então um diálogo, tornando suas as palavras da oração. Mas quando se trata de uma oração espontânea, ao conduzir uma oração é preciso que se deixe um espaço para que cada um converse com Jesus do seu jeito, mesmo que o que ele tenha a dizer para Jesus seja uma enorme e grande "poker face". Porém é o que ele tem de mais sincero para oferecer naquele momento, a Jesus, o mais íntimo de cada um de nós do que nós mesmos sabe disso e acolhe essa oração com sinceridade.
Desta maneira a pessoa começa a estabelecer um relacionamento com Deus, que vai atingir diretamente na sua maneira de fazer a sua oração pessoal, até mesmo as orações devocionais já feitas, ou a leitura da Sagrada Escritura, receberão um outro sabor.
Fazer uma oração que infantiliza as pessoas, terá como consequência o que eu chamo de "clientelismo eclesial". A pessoa passa a se servir de determinada comunidade, padre ou pregador, acreditando que eles tem a intimidade extraordinária e que Deus fala através dele (o que não deixa de ser verdade) mas a maior riqueza é a pessoa descobrir a voz de Deus que fala ao seu coração.
Deus se comunica com cada um de um jeito único e especial, e quando a gente nivela as pessoas por baixo estamos no caminho, impedindo que o Deus, que quer falar com a pessoa fale e se expresse. Não estaremos nós duvidando que Deus se comunica com qualquer ser humano? Ou seria eu mais santo e merecedor do que quem acabou de chegar? 
Precisamos estar atentos a estas tentações, porque não podemos infantilizar as pessoas, nem nos tornarmos fornecedores de Deus.
É como se estivéssemos abrindo uma indústria que vende ar engarrafado. O ar está aí conosco o tempo todo, de graça e em abundância, respiramos ininterruptamente, mas nem sempre nos damos conta, o mesmo se dá com o trato com Deus, Ele está com cada um o tempo todo em sua onipresença, mas nos limitamos a querer sentir a sua presença ou a deixar que ela esteja limitada a determinados locais e pessoas. Deixando assim de nos aprofundar em nossa fé, e de vivermos um processo de Educação na Fé, que levará cada um de nós a sermos capazes de ajudar outros, que serão capazes de ajudar outros.
Não esqueçamos é claro de que a vida em comunidade, é uma fonte de onde também jorra Deus, estar juntos na paróquia, celebrar juntos a eucaristia, presença real do ressuscitado, é vital para a vivência de uma vida cristã autentica, que não está focada mais no Deus que pode resolver meus problemas pessoais, mas no Deus com o qual eu cresço num relacionamento de amor constante, e que me abre para amar os demais. Mas também não posso deixar de dizer que estes momentos, terão muito mais sentido, se forem acompanhados de momentos de oração íntima, pessoal e solitária com Jesus. Diariamente. Aí sim viveremos uma vida comunitária que comunique Cristo, uma vida a partir de dentro.
Sendo assim, ore, frequente lugares, ouça pregadores renomados, ouça pregadores sem renome algum, busque estar em comunhão com a sua comunidade, mas tenha senso crítico e não deixe de se expor a Deus.
Portanto desengarrafemos a palavra de Deus, e deixemos de buscar as fontes de Deus engarrafado. Afinal mais que o ar, Ele está aí, nos recriando a todo momento com a sua misericórdia, e nos convidando a um relacionamento com Ele. Vai ficar bobeando?

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A asfixia nossa de cada dia

Já faz um tempo que eu assisti um episódio da sitcom "The New Adventures of Old Christine" (As novas aventuras da velha Chistine - tradução livre) série cancelada em 2010. Este sitcom conta a história de uma mulher recém-separada e suas peripécias para criar o seu filho, em meio a novos namorados e uma paixonite pelo ex-marido (não vou citar no momento nada a respeito de moral cristã e casamento).
No episódio citado, o ex-marido de Christine, Richard, começa a sair com uma mulher protestante, e o filho dela começa a frequentar a Igreja, a mãe do menino passa o episódio brava porque eles tinham concordado em não dar uma educação religiosa para o rapaz (também não irei comentar aqui sobre religiosidade e transmissão de valores). O problema é que a nova madrasta completamente confusa com as reações de Christine, resolve perguntar a ela o porque ela não quer ser seu filho envolvido com pessoas religiosas. Christine responde: "Porque gente de Igreja só gosta de gente de Igreja(!)". Após isto se segue um silêncio de concordância e a mulher muda se assunto.
E sabe qual a conclusão que eu cheguei: "Como eu gostaria que ela estivesse errada, mas...". Sim galera é a mais pura verdade, e a maior prova disso está nos nossos queridos e amados Grupos de Jovens!
Sim, eles enfeitam as nossas paróquias, movimentam, trazem alegria, são mão de obra barata pra qualquer quermesse, estão aí, existem e... existem. Ponto final. Não quero generalizar, mas fazer refletir: "não terão os nossos grupos de jovens se tornado verdadeiros guetos?" Muitos grupos que eu vejo por aí funcionam como se fossem um vórtice, um buraco negro, que engole tudo para si, e enxerga apenas a si mesmo, não se relacionam com outros grupos de jovens e em alguns casos piores, nem com a própria comunidade da qual participam, não se envolvem na vida da Igreja.
Não sei se todos sabem disso, mas o objetivo do grupo de jovens é morrer em mais ou menos três anos de existência, após este tempo o grupo deixa de existir na realidade. Mas você vai me dizer: meu grupo tem 4, 10, 15 anos. Sim a energia, o carisma (se podemos dizer assim), o horário de reunião, e até algumas cabeças ainda estão lá, mas o grupo é o mesmo de 2 anos e meio atrás? Não. E se acha que isso não quer dizer nada, bem, estude melhor sobre o que é ser grupo, ser comunidade cristã.
Enfim quando o grupo morre (para alguns de seus membros ao menos) consideramos que todo o processo de educação na fé aconteceu, sendo assim esse jovem deixa o grupo porque está atuante na sociedade ou na Igreja, mas me diga, quantos jovens que deixaram o seu grupo você ainda vê nas missas de Domingo?
E é isto que torna preocupante a situação, pois ser Igreja é um exercício diário, e um aprendizado que dura a vida toda, de qualquer leigo, religioso, sacerdote, bispo. E se nos nossos grupos não exercitamos sair de nós mesmos, romper os muros da sala de reunião, e depois romper os muros da Igreja, os jovens deixam de profetizar um jeito novo de viver e de ser, que está ali dentro do grupo, é lindo, é maravilhoso, todos que vivem querem que dure eternamente, mas nem todo mundo prova disso. E o que acontece com o grupo que se fecha, é morrer de asfixia. O sal fica com sal, o fermento fica com fermento, não dá sabor, e não faz crescer o Reino.
Bonito seria ver um grupo de jovens ir as ruas, aos orfanatos, as praças, levar e contagiar aos que estão ao redor com alegria, mas não como um gesto isolado e assistencialista, sim como um desejo de transformar a realidade do bairro, da escola, da cidade, da paróquia, unindo forças com o diferente.
Água limpa parada dá mosquito da dengue, mas se vira um rio de água viva vem ressuscitar todo o entorno, onde nascerão frondosas árvores, muitos frutos diferentes e novos, gerar vida, e a água viva dos nossos grupos só vai ser caudalosa de verdade quando houver troca de experiências, de descobertas, quando se aprende e se ensina, nessa imensa escola que é a vida! Transmitir a fé? Claro, mas transformá-la em atos!!!
Precisamos deixar de apenas falar no amor, mas viver o amor, amar de fato, e claro, não é simples, eu sozinho não posso fazer nada, mas com meu grupo, como o seu grupo, com o grupo da paróquia do outro lado da cidade, podemos amar mais, fazer algo mais concreto.
Sonho com esse dia, esse ano da graça, afinal sou um sonhador mesmo...

"O mundo lá sempre a rodar
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer" (Milton Nascimento)

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O Canto das Sereias

Muitas vezes eu como ministro de música católico, já passei por bons pedaços ao ouvir que musica católica é chata, velha, de doninha, feia e o escambau, e que a qualidade musical da música protestante é maior e etc. De fato confesso que há muito mais investimento do lado de lá do que do lado de cá (isso é óbvio) mas a música católica além de ter melhorado MUITO nos últimos anos (e até conquistado um cantinho no mercado) é aquela que conta a nossa história, que precisa ser valorizada. Nela está a tradição, e é possível até se você dividir por período perceber que a música de fato ajuda-nos a contar a história. Refrões como "te amarei Senhor!", "ou Santos ou nada mais queremos ser", "Senhor tu me olhaste nos olhos", "Uma só será a mesa", entre outras, marcam períodos da vida de católicos através dos anos.
Enumero aqui dois problemas claros em aceitar sem questionar a música protestante:
1) A música protestante é mais midiática e atraente e se adequa melhor aos novos tempos, estoura um ritmo novo hoje na rádio, amanhã recebe uma versão "evangelizada" da coisa. Mas isso além de tudo que pode trazer de positivo tem também o seu lado negativo, uma vez que estamos mundanizando a Igreja, no lugar de evangelizar o mundo. É importante assim como Jesus entrar e conhecer a realidade do outro, mas nunca para deixar ele na mesma. Muitas pessoas quando resolvem buscar a Igreja, vem para algo diferente do que há lá fora, vem a procura de paz, de um encontro com Deus, vem para descobrir se Ele é real, e quando chega encontra o mesmo funk, cantado pelo mesmo artista, numa versão "evangelizada". Uma missa celebrada solenemente com cantos apropriados, nos leva a uma experiência tal de Deus, que parece que o mundo lá fora perde toda a importância. Vivemos cercados já de muito barulho, e as Igrejas precisam ser lugares para se vivenciar o silêncio, que é onde se escuta Deus e a si mesmo.
2) Não aprendemos a valorizar nossa história e tradição desde a escola, daí surge um desejo tão  profundo de romper com o que é velho, que acabamos por criar um frankstein, no lugar de tornar-nos pessoas melhores, imagem e semelhança de Deus. Entramos numa de começar a criar um Deus que amolde aos nossos gostos, que é bem a cara do que muitas seitas tem feito por aí, criando um Jesus que no lugar de ser o pão vivo descido do céu presente na eucaristia, se torna um pão de hamburguer nos fast-foods de uma praça de alimentação de shopping. Daí preferimos a música da moda, do que aquela que convém ao momento, trocamos seis maduros, por meia duzia de verdes.
A música cristã verdadeira precisa mexer com a gente, nos comprometer, uma musica cristã que não me compromete pra mim não serve. Prefiro uma musica que exponha as minhas fraquezas, e me converta ao perceber que tenho que amar mais, que comungar é tornar-se um perigo. E não é, infelizmente o que vemos hoje, a banalização que a musica tem sofrido no meio secular, tem invadido também a Igreja, uma vez que melodias cada vez mais belas, tem embalado letras de conteúdo cada vez mais irrisório. Pra mim a "beleza" (há controvérisas) dessa música que se diz cristã, mas que é feita pra vender, se parece mais com o canto das sereias, que é lindo, seduz, mas que leva o nosso barco pro primeiro iceberg, afim de que afunde levando embora toda a nossa liberdade de filhos.
Estejamos portanto atento aos frutos e nos perguntemos: A que a musica que ouço tem me levado? Me compromete ou me inebria? Fala de um Deus amor libertador que se fez homem ou de um Senhor do exércitos que parece tão distante que mesmo com os gritos (mais altos) do meu canto nunca me ouvirá? Tenho conhecido bem a música católica? Aprendi a valorizar a minha história? Afinal qual o objetivo da música cristã? Produzir elogios ou levar a oração?


Graça e paz!
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